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A Questão Social e as Desigualdades no Brasil




Por Brenda Liliane


A questão social surgiu no século XIX, em razão das desigualdades sociais fundamentadas no capitalismo, exploração do trabalho assalariado, empobrecimento das classes em massa, violações dos direitos fundamentais e a luta do movimento operário (CASTELO, 2010, p.01).


Conforme Montaño (2012) esse fenômeno foi compreendido como algo natural e individual, ou seja, a pessoa era culpada pelas dificuldades que enfrentava. Desta forma, partindo da percepção dos indivíduos que formaram uma sociedade no início do século XIX, as desigualdades foram fundamentadas na falha do sujeito de não conseguir se acostumar com às leis naturais determinadas pela classe dominante.


Sendo assim, o Estado burguês iniciou a repressão e a criminalização do marginal, que era qualquer indivíduo que não se conformava com a realidade e lutava por uma vida digna. Através do Estado de Bem-Estar no século XX, iniciou-se a compreensão do sistema capitalista, e a criação das políticas públicas, no entanto, a questão social não foi retratada, consequentemente não aconteceram mudanças no contexto.


Com o neoliberalismo vigente, a responsabilidade pela questão social voltou para os indivíduos, retrocedendo consequentemente os pequenos avanços do senso crítico que a sociedade conquistou, ao perceber que a questão social não era responsabilidade individual. Em vista disso, a desigualdade fundamenta e incentiva problemas sociais que afetam diretamente a vida de todos os cidadãos e interfere na lógica da sociedade contemporânea que visa resguardar os direitos humanos conquistados através das lutas sociais.


Atualmente a “questão social” pode ser definida como um conjunto de ações, expressões e desafios que englobam as diferenças e privilégios que existem entre as classes dominadoras e as classes desfavorecidas economicamente. No entanto, esse diálogo vai além das violações de direitos fundamentais que estão acontecendo no momento, visto que essas violações foram fundamentadas no passado em outras sociedades e no decorrer dos séculos continuou a perpetuar pelos indivíduos.


Em outras palavras, esse diálogo não pode ser definido somente com o olhar da atual sociedade, pois, é preciso compreender o passado para entender o que está acontecendo atualmente. Segundo a Professora Iamamoto (2001) a questão social pode ser compreendida como um conjunto de desigualdades da sociedade capitalista e a banalização do ser humano.


A partir deste contexto, a questão social relaciona-se à ampliação da sociedade capitalista, em especial no trabalho desenvolvido por esta sociedade. Desta forma, partindo para a degradação do trabalho, e violações, consequências do estado que realizou privatizações, retirou o campo social com cortes, entre outros fatores. Com a intervenção da criação de políticas públicas a sociedade avançou, mas ainda enfrenta problemas estruturais e a violência que, por vezes, é iniciada por conta da questão social.


Segundo Montaño (2012), as políticas sociais são essenciais na vida dos indivíduos, mas não conseguem romper a questão social, visto que para conseguir rescindir é necessário compreender o passado e a realização da cessação do sistema capitalista.


No Brasil, a questão social perpétua desde o período colonial brasileiro, dado que as suas principais atividades produtivas foram concretizadas na agropecuária e as terras pertenciam à classe dominadora. No século XX, iniciou-se a industrialização, contribuindo com o crescimento da urbanização e influenciando nos princípios básicos na vida dos indivíduos, incentivando a criminalidade e a violência.


Portanto, as violações sofridas pelos grupos marginalizados pela sociedade, principalmente aqueles que vivem em vulnerabilidade social, é reflexo das injustiças, das desigualdades e principalmente das ações realizadas no contexto histórico. Por isso, é de extrema importância olhar para o que está acontecendo hoje, mas com o aprofundamento e contexto atribuído ao assunto.


Os pré-conceitos continuam a rondar a sociedade, o pobre, a pessoa vulnerável e a pessoa negra, é vista como criminosa por alguns indivíduos da sociedade, consequentemente são esses grupos que mais sofrem com a violência e constantemente viram estatística no Brasil. À classe dominadora continua a ser privilegiada, e os dados só comprovam que mesmo com o passar dos séculos os grupos marginalizados continuam a ser massacrados.


Para a criação de uma sociedade mais justa e digna, é necessária a formulação de Políticas Públicas que priorize a reparação do passado e o amparo a todos os indivíduos que vivem em sociedade. Além disso, é de extrema importância o investimento na educação, pois, somente estudando e compreendendo o passado poderemos criar uma sociedade com senso crítico e com o pensamento diferente. E por fim, mas não menos importante, o fim da corrupção é um projeto que venha intervir na produção capitalista. 


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